Todos os rios da bacia do Paraná podem ser incluídos
Na última terça-feira ocorreu na sede do Ibama de Pirassununga reunião para discutir a possibilidade de prorrogação para a proibição da pesca no Rio Mogi Guaçú e também nos demais da Bacia do Rio Paraná durante a piracema.
Até o final de fevereiro ocorre o fenômeno, que é quando os peixes sobem os rios para a desova re se reproduzir.
Segundo o vice-presidente do Comitê da Bacia do Pardo, Paulo Finotti, esse ciclo foi8 dificultado por causa das chuvas. Ele afirmou que algumas espécies podem ter tido problemas para subir até a nascente para desovar.
A Bacia do Rio Paraná é muito importante para toda região sul e sudeste e até a centro-oeste, pois além de servir de vias de transporte, abastece inúmeras cidades e contribui para geração de energia.
Finotti relata que se nenhuma providência for tomada, esses rios podem perder a grande quantidade de peixes, o que no futuro vai prejudicar o trabalho de pescadores profissionais.
Cepta pede prorrogação da piracema por mais 1 mês no Rio Mogi Guaçu
O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Peixes Continentais (Cepta) encaminhou nota técnica ao Ministério da Pesca e ao Ministério do Meio Ambiente pedindo a prorrogação do prazo da piracema até 31 de março no Rio Mogi Guaçu, em Pirassununga (SP), e em outros três que cortam as regiões de Campinas, Ribeirão, Sul e Sudoeste de Minas Gerais. O prazo de proibição da pesca terminaria no dia 28, mas a estiagem prejudicou a reprodução dos peixes.
O coordenador do Cepta, Antônio Fernando Bruni Lucas, explicou que o objetivo do documento é alertar sobre os riscos de liberar a pesca depois de um período longo sem chuvas. “Necessitamos dessa prorrogação porque o nível dos rios está muito baixo, parte dos estoques não desovaram e a outra parte está presa em bolsões”, explicou.
Segundo o coordenador, com a estiagem deste ano 85% dos peixes continentais não conseguiram subir até o lar de reprodução e perderam a época de desova. A ideia da prorrogação é permitir que os 15% que estão presos nos bolsões se reproduzam e não sofram a pressão da pesca.
Prejuízos
O Cepta possui um plano de ação nacional de preservação dos Rios Mogi, Pardo, Sapucaí – Mirim e parte do Rio Grande. Nesta região, existem 14 espécies de peixes ameaçadas de extinção. “A preocupação é de que esses peixes acabem sendo capturados e não consigam se reproduzir no ano que vem”, disse Lucas.
Além de prejudicar a reprodução, a estiagem tem causado a mortandade de peixes em rios da região. “Diminuiu a quantidade de água, devido à falta de chuva e a quantidade de matéria orgânica continua descendo pelo rio. Isso faz com que os peixes percam oxigênio que é vital para eles”, afirmou o coordenador.
Recuperação
A recuperação de espécies encontradas mortas no Rio Mogi Guaçu, em Porto Ferreira (SP), no sábado (15), pode levar até cinco anos, segundo o analista ambiental do (Cepta), Paulo Sérgio Ceccarelli. A mortandade atingiu 15 espécies, que foram encontradas às margens do rio.
O centro também prevê uma quebra na produção de mais de 30 toneladas de peixe. O prejuízo vai ser percebido nos próximos anos. “Vai faltar peixe. Para recuperar o impacto dessa seca não é com a primeira desova. É pelo menos quatro a cinco desovas. Uma seca dessa pode ter repercussão, no mínimo, até oito anos”, disse Ceccarelli, em entrevista ao Jornal da EPTV do dia 5 de fevereiro.







