Pequena epopeia de uma certa vida

Equipe busca financiamento na internet para realização do projeto

Por Luis Fernando S. Souza-Pinto

Gabrielle Benato Marçal é nascida em Santa Rita do Passa Quatro, Bacharel em moda pela Universidade Estadual de Maringá e foi pra São Paulo trabalhar. Acabou se envolvendo com cinema sendo assistente de direção cinematográfica. Em um ano participou de 6 curta-metragens independentes como assistente de direção ou diretora de arte. Um deles está em festival em NY, no País de Gales e no Uruguai. “Para mim, não há nada mais prazeroso do que poder criar um universo novo e entender o interior de um personagem, o conceito de um filme, a ideia na cabeça do diretor se tornando parte da minha perspectiva de vida. Cinema é, para mim, uma poética sensorial.”, diz. Gabrielle nos conta sobre o filme “Pequena Epopeia de uma Certa Vida” no qual ela atua como diretora de arte e por meio da internet, busca financiamento.

LUIS: Gabi, conte sobre o novo projeto?

GABI: A equipe basicamente se conheceu num projeto anterior, o Espécime 53, um curta-metragem dirigido pelo Leonardo Prioli, que é o atual diretor e roteirista do Epopéia. E foi o primeiro set que eu percebi que as pessoas queriam fazer cinema de verdade. Era mais que um curta pra cumprir uma aula. A gente fez o filme em 8 pessoas…um roteiro supercomplicado, com efeitos especiais numa estética dos anos 90 do Japão denominada Cyberpunk. Como a gente conseguiu trabalhar muito bem juntos nisso, o Leo fez um outro roteiro pra gente desenvolver que é o Pequena Epopéia de uma Certa Vida, que seria um trabalho de conclusão de curso dele. Mas a gente resolveu assumir o projeto independentemente. Montamos nossa equipe com alguns membros do Espécime e agregamos pessoas muito competentes em cada núcleo, que querem realmente tirar esse projeto do papel.

LUIS: pode dizer algo em torno do enredo do filme ou é surpresa?

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GABI: Um espaço em branco, muitas caixas e duas pessoas interagindo. Está é a estrutura básica que guia o curta-metragem que vai falar de relações humanas, solidão e todo o arrependimento gerado pelas ações, ou não ações, durante antigas conexões que as pessoas estabelecem umas com as outras. Dentro dessa estética se criam personagens sem que nenhum tenha nome, assim tornamos a narrativa mais abrangente, fazendo com que os mesmos representem tipos de pessoas ao invés de um indivíduo único. O termo “epopeia” nos remete aos poemas épicos da antiguidade e foi escolhido pela forma em que a trama foi criada, com um personagem central, nosso “herói”, que está enfurnado dentro de um deserto de nada e que irá interagir, uma por vez, com quatro mulheres, e, cada qual por seu motivo, irão embora, deixando para trás pilhas de caixas vazias que tomarão conta do lugar, cercando o personagem principal e tomando todo seu espaço. A última das mulheres porem pode representar a chance de redenção do rapaz. A fuga de todo esse nada é a resolução da epopeia dessa certa vida

LUIS: E como fica o financiamento de projetos desse tipo?

GABI: Fazer cinema, arte ou cultura do Brasil é sempre muito complicado. As pessoas não valorizam nossa própria cultura. Esse roteiro que temos não trata de nenhuma mazela social. É um curta de caráter surrealista, que fala sobre o vazio existencial atrelado aos relacionamentos de um protagonista em contraposição a pretensão artística do mesmo. Logo, não é um projeto que se encaixa na política que vigora nos editais. Depois de muito estudar e pensar como viabilizar o projeto, decidimos optar pela Plataforma do Benfeitoria, que é um financiamento coletivo. Funciona da seguinte forma: as pessoas que se interessarem pelo projeto e quiserem que ele saia do papel, tornam-se parte do projeto, e podem apoiar financeiramente (a partir de dez reais) ou com outra forma de apoio, podendo ser equipamento de luz, tintura corporal, estúdio…e coisas que são necessárias ao projeto. Daí, cada participação ganha uma recompensa, que está no site do benfeitoria.

PARTICIPE DO FINANCIAMENTO PROJETO EM http://benfeitoria.com/pequenaepopeia

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