Represa do São Vatentim será avaliada quanto aos riscos

Outras 8 na região de abastecimento e energia serão fiscalizadas, 4 são barragens de mineração têm classificação de risco

Com mais de 1 século a obra, que fica 80 metros acima de uma cachoeira, é de 1911. No passado, os engenheiros da Companhia de Força e Luz aproveitaram uma queda para construir a usina para geração de energia.
A Barragem de 108 anos tem classificação de risco alta mas considerada de baixo dano segundo um analista especializado.
Na década de 1970 ela foi desativada. Em 1998 passou a integrar o acervo da Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo.
Após o caso de Brumadinho em Minas gerais o governo federal publicou no Diário Oficial da União resoluções que determinam a fiscalização imediata barramentos em todo o país.
A Agência Nacional de Águas (ANA) monitora desde 2011 a situação do setor no país e todos os anos divulga um levantamento sobre a segurança de barragens, levando em consideração as quatro finalidades existentes: barragens para contenção de rejeitos de mineração, como a de Brumadinho, as de produção de energia elétrica, as de disposição de resíduos industriais e as de múltiplos usos da água. O objetivo é dar transparência à situação das barragens.
Na região, além da barragem do São Valentim, outras represas também terão prioridade na fiscalização.
Três em São José do Rio Pardo, uma entre Rio Pardo e Tapiratiba, uma em São João da Boa Vista, uma em Caconde e uma em Vargem Grande do Sul.
O professor da Escola de Engenharia da USP Eduardo Mário Mendiondo explica que todas essas barragens oferecem algum tipo de dano.
No caso da barragem São Valentim, em caso de rompimento, a correnteza só vai atingir um imenso vale. Como o lugar não tem ocupação humana, na teoria, o acidente não faria vítimas fatais.
O professor explica que ao longo da última década foram criadas leis, como a política nacional de proteção civil, mas elas precisam ser colocadas em prática. Ele participa de um grupo com pesquisadores brasileiros e do exterior.
Segundo ele, até 2016, foram mapeadas mais 40 mil áreas no país com risco de colapso e isso sem levar em consideração as barragens.
Por isso, o problema pode ser muito maior. Para ele não dá para imaginar o Brasil sem barragens, mas o futuro só será possível com fiscalização e investimento.

Empresa responsável e fiscalizações
O gerente da Cobuccio Almeida e Energia, empresa responsável pela manutenção e operações da usina São Valentim disse que já investiu mais de R$ 1,8 milhão em obras, reparo e manutenção da usina.
A Aneel informou que estão previstas, até maio, fiscalizações em 130 barragens de usinas hidrelétricas. Na terça feira (4) vai se reunir com as agências reguladoras estaduais para definir como isso será feito.
A ANEEL vai iniciar a partir da próxima semana (12/2) força-tarefa para fiscalizar in loco as barragens de 142 usinas hidrelétricas até maio, em 18 Estados, além do Distrito Federal. Depois dessa primeira etapa, a Agência estenderá, entre maio e o fim de dezembro, a inspeção presencial a todas as barragens de hidrelétricas classificadas como “Dano Potencial Alto”, até totalizar 335 empreendimentos vistoriados no ano. É importante destacar que “Dano Potencial Alto” é uma classificação que diz respeito à área afetada pela usina – se é densamente povoada, por exemplo – e não às suas condições estruturais.
Em reunião realizada hoje (5/2) com as agências reguladoras estaduais conveniadas de São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, a ANEEL definiu como será realizada a fiscalização. A Agência vai inspecionar com equipe própria e apoio de agentes credenciados barragens de 71 usinas de maior dano potencial. As outras 71 usinas serão fiscalizadas pelas Agências Estaduais conveniadas de cada região.
A fiscalização da Agência caracteriza as barragens por dois critérios: dano potencial alto e risco. No dano potencial alto são compreendidos os seguintes aspectos: barragens com grandes reservatórios; existência de pessoas ocupando permanentemente a área a jusante da barragem; área a ser afetada apresenta interesse ambiental relevante ou é protegida e existência de instalações residenciais, comerciais, agrícolas, industriais de infraestrutura e serviços de lazer e turismo na área que seria afetada. No critério de risco são avaliados: a documentação do projeto, qualificação técnica da equipe de segurança de barragens, roteiros de inspeção de segurança e monitoramento; regra operacional dos dispositivos de descarga da barragem e relatórios de inspeção de segurança com análise e interpretação.

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