Pesquisa revela riscos de bactéria e fungos em carrinhos e cestinhas de supermercados

Pesquisadores da Nanox, empresa de tecnologia antimicrobiana nascida dentro da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), fizeram o teste em hortifruti e supermercado e comprovaram presença de bactérias.

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a empresa Nanox mostrou que objetos de supermercado, como carrinhos e cestinhas, podem esconder bactérias e fungos que causam problemas de saúde.

O contato frequente das mãos dos consumidores, restos de alimentos e a limpeza inadequada potencializam o risco de transmissão de doenças. Os “inimigos invisíveis” podem estar nas alças e puxadores.

Para evitar a contaminação, os pesquisadores desenvolveram um produto antimicrobiano, que pode ser colocado no plástico que envolve os carrinhos e puxadores.

Testes

Pesquisadores da Nanox, empresa de tecnologia antimicrobiana nascida dentro da UFSCar, fizeram o teste em hortifruti e supermercado para comprovar presença dessas bactérias e resultado impressiona.

Para realizar a pesquisa, uma cestinha aleatória foi escolhida e o mesmo procedimento foi repetido com um carrinho.

Um bastonete é esfregado em superfícies onde as colônias de microorganismos se desenvolvem e também em uma plaquinha com o produto antimicrobiano.

O resultado aparece depois de 48 horas. Na plaquinha com o produto, praticamente nada. Mas nas outras, a quantidade de microorganismos foi grande.

Camila Lourenço Pereira é gerente de pesquisa, desenvolvimento e inovações, e informou que há milhares de bactérias dentro de uma colônia.

Confira a lista de bactérias e produtos encontradas na pesquisa:

  • E. Coli: conhecida popularmente como bactéria da carne malcozida ou bactéria da água contaminada;
  • Salmonella: chamada de bactéria do ovo cru ou bactéria da intoxicação alimentar;
  • Candida: popularmente conhecida como fungo da candidíase ou simplesmente fungo vaginal, embora também possa causar infecções em outras partes do corpo;
  • Aspergillus niger: muitas vezes referido como fungo do mofo preto (muito comum em paredes úmidas e alimentos estragados).

Contaminação cruzada

O médico epidemiologista Bernardino Souza informou que no caso de pessoas com deficiência imunológica, as infecções tendem a ser mais graves.

O profissional também explicou que várias bactérias e fungos num único lugar é situação perfeita para a chamada contaminação cruzada.

Higienização

Apesar das normas de higienização para equipamentos de supermercados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não há regulamentação específica para carrinhos e cestas. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) prevê que os estabelecimentos são responsáveis pela higienização de utensílios e equipamentos utilizados no fornecimento de produtos.

Na pandemia da covid-19, era comum que as pessoas fizessem a limpeza antes das compras, mas a prática foi pontual e não se tornou um hábito para a maioria dos consumidores.

O dever de higienizar cabe ao comerciante, seja com água e sabão, ou investir em produtos antimicrobianos. O consumidor deve sempre se lembrar de lavar as mãos e fazer a sua parte também.

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