Brasileiro evita atender o telefone: excesso de chamadas faz ligação perder espaço para aplicativos

Atender uma ligação de um número desconhecido já foi um hábito comum entre os brasileiros. Hoje, porém, a realidade é bem diferente. A maioria das pessoas simplesmente ignora chamadas de números que não estão na agenda, preferindo aguardar uma mensagem pelo WhatsApp ou outro aplicativo antes de retornar o contato.

A mudança de comportamento tem explicação. Nos últimos anos, o crescimento das ligações de telemarketing, das chamadas automáticas “robocalls” e das tentativas de golpes por telefone fez com que milhões de consumidores perdessem a confiança nesse meio de comunicação.

Levantamentos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que o excesso de chamadas indesejadas se tornou um dos principais motivos de reclamações dos usuários.

Diante desse cenário, fabricantes de smartphones passaram a investir em sistemas capazes de identificar ou bloquear chamadas suspeitas antes mesmo que o usuário atenda. Entre os principais recursos disponíveis atualmente estão:

Samsung Galaxy: utiliza proteção contra spam integrada, identifica empresas, alerta sobre possíveis fraudes e permite bloquear automaticamente números suspeitos.

Motorola: modelos mais recentes contam com identificação de chamadas suspeitas por meio do aplicativo Google Telefone, além do bloqueio automático de spam.

Google Pixel: possui um dos sistemas mais avançados do mercado, chamado Call Screen, que pode atender a ligação automaticamente, perguntar quem está ligando e apresentar uma transcrição ao usuário antes que ele decida atender. Entretanto, esse recurso ainda possui disponibilidade limitada em alguns países, incluindo restrições no Brasil.

iPhone (Apple): oferece o recurso de silenciar chamadas de números desconhecidos e, nas versões mais recentes do iOS, passou a incorporar ferramentas de triagem e identificação de chamadas em mercados compatíveis.

Nos últimos anos, a Anatel adotou diversas medidas para tentar reduzir o problema, entre elas a criação do prefixo 0303, obrigatório para identificar ligações de telemarketing ativo e facilitar o reconhecimento desse tipo de chamada pelo consumidor; a ampliação da obrigatoriedade do uso do 0303 por empresas que realizam grande volume de ligações; e a implantação da tecnologia Origem Verificada, que permite exibir na tela do celular o nome da empresa, seu logotipo e um selo de autenticidade, confirmando que a ligação realmente foi originada pela organização indicada e reduzindo fraudes por falsificação de números (spoofing).

Além disso, as operadoras passaram a monitorar grandes volumes de chamadas e podem bloquear empresas que utilizem irregularmente a rede telefônica para realizar ligações abusivas.

Consumidor mudou de comportamento

Mesmo com os avanços tecnológicos implementados por fabricantes de smartphones, operadoras e pela Anatel, especialistas avaliam que a confiança do consumidor nas ligações telefônicas ainda está longe de ser plenamente restabelecida. O aumento das tentativas de fraude fez com que atender chamadas de números desconhecidos deixasse de ser um hábito automático para grande parte da população.

Atualmente, é cada vez mais comum que empresas, profissionais liberais e até órgãos públicos enviem uma mensagem por WhatsApp ou outro aplicativo antes de realizar uma ligação, justamente porque sabem que muitos brasileiros ignoram chamadas de números que não reconhecem. Na prática, consolidou-se um novo comportamento: para boa parte dos usuários, quem realmente precisa falar costuma primeiro se identificar por mensagem.

Na região de Santa Rita do Passa Quatro, assim como em diversos municípios do interior paulista, moradores também convivem com o aumento de chamadas de números desconhecidos, muitas delas associadas a tentativas de golpes. Entre as fraudes mais comuns estão falsas centrais de atendimento bancário, o golpe do falso sequestro, a clonagem de WhatsApp e cobranças indevidas.

Diante desse cenário, as forças de segurança orientam a população a nunca fornecer dados pessoais, senhas ou códigos de verificação por telefone e a sempre confirmar qualquer solicitação diretamente pelos canais oficiais da instituição envolvida. Em caso de suspeita, a recomendação é interromper imediatamente a ligação e, se necessário, registrar um boletim de ocorrência.

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