Ciro Gomes, Fernando Haddad, Renan Calheiros, Ciro Nogueira, Aécio Neves, Marina Silva, Simone Tebet, Gleisi Hoffmann e José Dirceu estão entre os nomes conhecidos que não conseguiram o resultado esperado nas urnas
As Eleições 2026 não foram marcadas apenas pelos novos nomes escolhidos pelos eleitores. O resultado deste domingo, 4 de outubro, também produziu uma extensa lista de derrotas de políticos com décadas de vida pública, incluindo ex-governadores, ex-ministros, ex-presidenciáveis e lideranças históricas do Congresso Nacional.
As derrotas atingiram diferentes partidos e correntes políticas, mostrando uma renovação significativa em algumas das principais disputas estaduais e para o Congresso.
Ciro Gomes fica fora no Ceará
Um dos nomes de maior projeção nacional derrotados foi Ciro Gomes (PSDB). Ex-governador do Ceará, ex-ministro e candidato à Presidência da República em quatro oportunidades, Ciro tentou retornar ao comando do governo cearense, mas não conseguiu vencer a disputa.
O resultado mantém Ciro sem mandato eletivo e acrescenta uma nova derrota à trajetória do político cearense.
Haddad não consegue o governo de São Paulo
Em São Paulo, algumas das figuras mais conhecidas da política nacional terminaram as eleições sem conquistar os cargos que disputavam. Fernando Haddad (PT), ex-prefeito da capital paulista, ex-ministro da Educação e da Fazenda e candidato à Presidência da República em 2018, tentou novamente chegar ao Palácio dos Bandeirantes, mas foi derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos). Seu candidato a vice, Márcio França (PSB), também ficou sem mandato.
A disputa pelo Senado produziu outras duas derrotas de grande repercussão. Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), ambas ex-candidatas à Presidência da República e integrantes do governo Lula, não conseguiram conquistar uma das duas cadeiras paulistas em disputa.
Marina, ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora pelo Acre, e Tebet, ex-ministra do Planejamento e ex-senadora por Mato Grosso do Sul, buscavam retornar ao Senado, desta vez representando São Paulo.
As duas vagas ficaram com Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), deixando fora da próxima composição do Senado duas figuras que tiveram protagonismo na política nacional nos últimos anos.
Também chamou atenção a tentativa frustrada do ex-ministro José Dirceu (PT) de retornar ao Congresso Nacional. Dirceu disputou uma cadeira de deputado federal por São Paulo e recebeu 78.449 votos, ficando na sexta suplência de sua legenda/federação.
Outros nomes históricos do PT também não conseguiram vaga na Câmara. Rui Falcão, ex-presidente nacional do partido, recebeu 106.391 votos e ficou na primeira suplência; Paulo Teixeira, ex-ministro e deputado por cinco mandatos, obteve 106.062 votos e não se reelegeu; e Vicentinho, deputado por seis mandatos, recebeu 68.508 votos e também ficou de fora.
Renan Calheiros e Filho fora do Senado e Governo
Outra derrota de grande repercussão aconteceu em Alagoas. Renan Calheiros (MDB) não conseguiu renovar seu mandato no Senado.
Figura presente no Congresso durante décadas e ex-presidente do Senado, Renan foi superado na disputa pelas duas vagas por Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB).
A derrota fará com que Renan deixe o Senado em 2027 depois de uma trajetória de mais de três décadas na Casa. Seu filho, Renan Filho (MDB), também foi derrotado na disputa pelo Governo de Alagoas.
Ciro Nogueira também perde cadeira
No Piauí, a eleição também deixou fora do Senado um dos nomes de maior projeção nacional do Progressistas. Ciro Nogueira (PP), presidente nacional do partido, ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro e figura de destaque nas articulações políticas em Brasília, não conseguiu renovar o mandato.
Na disputa pelas duas cadeiras do estado no Senado, Ciro ficou fora das vagas conquistadas por Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).
O resultado representa uma mudança importante na representação piauiense em Brasília e encerra, ao término do atual mandato, a passagem de Ciro Nogueira pelo Senado iniciada em 2011.
Gleisi Hoffmann não retorna ao Senado
No Paraná, Gleisi Hoffmann (PT) tentou retornar ao Senado, onde já exerceu mandato entre 2011 e 2018, mas terminou a disputa na quarta colocação, com 1.542.636 votos.
Ex-ministra e ex-presidente nacional do PT, Gleisi ficou fora das duas vagas.
Aécio Neves tentou voltar ao Senado
Outro ex-presidenciável que ficou sem mandato foi Aécio Neves (PSDB). Ex-governador de Minas Gerais, ex-senador e candidato à Presidência da República em 2014, Aécio tentou retornar ao Senado nas eleições deste ano, mas não conseguiu uma das vagas. Com o término de seu atual mandato de deputado federal, ficará sem cargo eletivo.
Randolfe Rodrigues deixa o Senado
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo Lula no Congresso, também não conseguiu renovar seu mandato. Ele deixará o Senado em 2027 após ser derrotado na disputa no Amapá. As duas vagas ficaram com Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD).
Roseana Sarney fica fora no Maranhão
No Maranhão, Roseana Sarney (MDB), ex-governadora por quatro mandatos e integrante de uma das famílias mais tradicionais da política brasileira, disputou o Senado e terminou na terceira colocação. As duas vagas ficaram com André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo).
Outros nomes conhecidos também ficaram pelo caminho
A lista inclui ainda ACM Neto (União Brasil), novamente derrotado na disputa pelo Governo da Bahia; Mendonça Filho (PL), ex-governador de Pernambuco e ex-ministro da Educação, que ficou em terceiro na corrida ao Senado; Paulo Pimenta (PT), ex-ministro e deputado federal desde 2003, derrotado para o Senado no Rio Grande do Sul; e Jorge Viana (PT), ex-governador e ex-senador pelo Acre, que também não conseguiu retornar à Casa.
A dimensão das derrotas também pode ser observada entre integrantes do governo Lula que deixaram seus cargos para disputar as eleições. Dos 22 ex-ministros que entraram na disputa eleitoral, apenas nove conseguiram se eleger.
Mais do que derrotas individuais, o resultado das urnas redesenha parte do quadro político brasileiro para 2027. Políticos que ocuparam ministérios, governos estaduais e posições de comando no Congresso durante décadas estarão fora dos cargos que buscaram nas eleições de 2026.Fontes: resultados eleitorais e levantamentos publicados por UOL, CNN Brasil, Folha de S.Paulo e Poder360 em 4 e 5 de outubro de 2026.






